
"Que buracama, compadre, que buracama...
Ai, meu compadre, que buracama medonha!
Que buracama, compadre, que buracama...
Ai, meu compadre, a cidade tá uma vergonha!
Nossa cidade é a capital dos buracos,
buracos que quando chove se pesca até lambari...
Vi muito rombo travestido de buraco,
mas cratera em pleno asfalto só em nossas ruas eu vi!
Tem panelão, desses tamanho família
e já tem buraco na fila pra concurso de fundura...
Nossos buracos têm selo de insegurança, têm cargos de confiança e alvará da prefeitura!
Que buracama, compadre, que buracama...
Ai, meu compadre, que buracama medonha!
Que buracama, compadre, que buracama...
Ai, meu compadre, a cidade tá uma vergonha!
Quem sabe o povo, pra escapar dos assaltos,
corra e recorra aos buracos como última trincheira...
Já tem buraco convocando outro buraco
pra fundar um sindicato reunindo a buraqueira!
Temos buracos festejando aniversário
e já tem buracos tombados pelo nosso patrimônio...
Surgem suspeitas da clonagem de buracos
causando inveja ao buraco da tal camada de ozônio!
Que buracama, compadre, que buracama...
Ai, meu compadre, que buracama medonha!
Que buracama, compadre, que buracama...
Ai, meu compadre, a cidade tá uma vergonha!
Já tem buraco com CPF e apelido,
tem buraco deprimido de tanto ouvir palavrão!
E tem buraco que de tão grande e profundo
qualquer dia fura o mundo e vai sair lá no Japão!
Brotam buracos de dentro de outros buracos,
dando cria de buracos de todo o tipo e largura...
Temos buracos pra ninguém botar defeito e assim vai cada prefeito cavando sua sepultura!
Que buracama, compadre, que buracama...
Ai, meu compadre, que buracama medonha!
Que buracama, compadre, que buracama...
Ai, meu compadre, a cidade tá uma vergonha!"
Música nativista, vanerão - Autor: Silvio Genro